O presente estudo propõe a busca da valorização de uma convivência criativa e possíveis contribuições da trajetória e do processo de construção artística via materiais alternativos, sendo o desenvolvimento da criatividade o principal elemento. Este trabalho é fruto de uma despretensiosa, porém responsável abordagem, no dizer de Luigi Pareyson (1989:32),de uma construção formativa, para ele a arte é “um tal fazer que, enquanto faz, inventa o por fazer e o modo de fazer”, sendo capaz de transgredir formas e teorias pré-concebidas; modificando pois a errônea suposição de que estamos aprisionados as máquinas ou programas computadorizados com suas funções pré-determinadas, nas mais variadas áreas inclusive na artística, teorias idem.
Esquecemos que o homem quer ser mais do que apenas ele mesmo, o homem anseia por absorver o mundo circundante, por isso a arte torna o homem uníssono com o todo, entretanto, vivemos um período em que muitos acham ser a tecnologia a única ferramenta, e o trabalho ligado únicamente a produção, sendo a arte uma ocupação menor,sendo irônicamente seus “produtos” um excelente investimento em tempos de crise... voltada mais para o homem é por princípio um mágico, porém a tecnologia não é o único coelho branco que ele pode “tirar” de sua cartola.
Temos dois pilares que sustentam a co-educação: de um lado, experiência adquirida no dia-a-dia, do outro a escola, tendo ao centro o homem, com seus conhecimentos em estado de permanente ebulição. Nos dias atuais milhares de pessoas ouvem música, assistem TV, navegam na internet e para quê? Dizem que procuravam recreação, divertimento. que estranho e misterioso divertimento é este?Se observarmos mais atentamente nesta miscelânia de anseios e objetrivos o fio condutor serásempre o meio a arte.
Segundo o Profº de História da Arte do Instituto de artes da Unicamp, José Roberto Teixeira Leite, no século XIX, alguns teóricos como Wilbois e Durkhein excluíram o fazer artístico do rol das atividades sérias, onde segundo ele, “para estes o artista que esculpe um torso, que pinta uma natureza-morta ou compõe uma canção não passa de um marginal, de um preguiçoso e, talvez mesmo, de um doente “.
Mais irônico ainda é observar que a criadora do Museu de Imagens do Inconsciente, Nise da Silvera, dizia não ter “pacientes” e nem mesmo “doentes” tinha apenas “clientes”.(TEMPOS EM QUE OS TRABALHOS ARTÍSTICOS DE SEUS CLIENTES GANHAVAM NOTORIEDADE).
Entretanto muitos ainda estão neste início de século vivendo o chamado “mito da caverna de Platão” onde a realidade nada mais é do que sombras distorcidas, de uma suposta realidade e de lá conseguem sair. “Alindou-se” um caminho que nada mais é do que um “caminho”.
Parabenizamos aqui os doentes, preguiçosos e marginais que com a sua teimosia em não aceitar tais sombras, preferiram produzir não bens e serviços,mas algo muito mais profundo “CLIENTES” que optaram pela arte , único meio capaz de produzir mastodônticas estruturas feitas no alvorecer da história.Megálitos nas planícies de Salisbury, Pirâmides no deserto de Gizé, Zigurates nos lisos da Mesopotâmia, Muais na ilha da páscoa todos elevando-se soberbos e bem visíveis, tendo nas emoções de quem os idealizou sua força motriz, força esta que já carregava o homem paleolítico,vibrante que servia como fator de imagens, escondida nos fundos de sinuosas cavernas bloqueadas por estalactites e encharcadas, úmidas e sem luminosidade, serviram de santuário para explosões de criatividade,muito bem resguardada da ação erosiva do tempo.
Toda arte é condicionada pelo seu tempo e representa a humanidade, onde cada um vê e vive os fatos à sua maneira,objetos do cotidiano podem se transformar em vigorosas ferramentas, não significando que haja uma homogeneidade, Em 1913 Duchamp se depara com um maquinismo; um triturador de chocolate em funcionamento numa loja de doces. Então ele acaba por adaptar o aparelho para os seus objetivos artísticos, colocando-o em uma mesa baixa de pernas curvas, e pinta o triturador de chocolate nº 01; um estudo a óleo para uma de suas maiores criações maquinal o reino do celibatário.
A vida artificial ainda está só no início, num estágio, descrito por Antonio R. Damásio comparável ao do surgimento da vida e da evolução do homem. Sendo assim vivemos um momento único onde a cibercultura de Levy, não é o fim, mas apenas mais um meio para se levar a termo algo muito mais poderoso do que ela, sem nos esquecermos dos caminhos já trilhados e conhecidos, além de outros novos ligados a própria sobrevivência do planeta, como a reciclagem de materiais.
A profusão de metáforas utilizadas pra descrever o fim do séc.XX, e início do XXI é das mais diversas tais como uma sociedade informática (Adam Shaff), 1ª revolução mundial (Alexander King) ou terceira onda (Alvin Toffler), de aldeia global (McLuhan) poderiam muito bem serem substituídas por sociedade Amébica (Kenichi Ohmae), este abuso de metáforas demonstra uma realidade emergente, onde se super-dimensiona a importância da tecnologia.Deve-se ter clareza que em consonância com as idéias e aspirações, há necessidades impostas por uma situação histórica particular, onde a arte supera qualquer limitação podendo caminhar através de qualquer meio.
Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade.
C. Chaplin
No início do séc. XX através da 7ª arte artistas de renome internacional já procuravam expor em seus trabalhos o temor relacionado a tecnologia desenfreada e desumanizadora . Charles Chaplin expôs os riscos da miséria e de desumanização em "Tempos Modernos" (1936). Anos depois Stanley Kubrick apontou a opressão da tecnologia sobre os homens em "2001, uma Odisséia no Espaço" (1968).A literatura e o cinema cristalizaram os nossos temores em relação ao futuro. Aldous Huxley descreveu, em "Admirável Mundo Novo" (1932), uma sociedade homogênea, composta por pessoas despersonalizadas, que a vida dos cidadãos fosse controlada pela ação de um Estado autoritário no livro "1984" (1949). Fritz Lang anunciou a alienação e a automação do homem-máquina no filme "Metrópolis"(1926), já recentemente os irmãos Wachowski, em "Matrix" (1999), expuseram com grande força os temores diante da informática, da tecnologia capaz de fabricar realidades e desenvolver a extremos as potencialidades humanas e, por isso, imprimir um caráter artificial à vida coletiva.
Apresenta-nos um mundo sombrio, Ridley Scott, em "Blade Runner" (1982), com o parodoxo de se considerar as emoções que parecem ser apresentadas por “replicante” altíssimo desenvolvimento tecnológico aliado a decadência de um mundo num ano não muito distante de 2017.
"A NARCOSE DE NARCISO”
Marshall Mcluhan teórico canadense, detentor do termo “Aldeia global” procurava discutir sobre o impacto que as tecnologias eletrônicas, principalmente as de comunicação, estavam causando sobre os sentidos e as faculdades cognitivas dos seres humanos, chegando a considerá-la como a narcose de Narciso, defendendo a tese de que os homens, assim como Narciso, estavam se deixando entorpecer e fascinar “por qualquer extensão de si mesmos em qualquer material que não seja a deles próprios” (Abbagnano – 2000: 81-82).
Essa fascinação cresce, pois ao integrar o mundo em redes globais, as novas tecnologias da informação estão alterando e remodelando a base material da sociedade em ritmo acelerado, assim como nossa forma de pensar, a natureza, nossa sexualidade, a organização de nossas comunidades e até nossa identidade que corporificamos em nossos deuses, a quem atribuía tudo que parecia inatingível aos seus desejos ou lhe era proibido, transformando-os em ideais culturais.
Para suportar a vida os homens desde a horda primeva, não puderam dispensar as medidas paliativas, as construções auxiliares, os universos metafóricos. NIETZSCHE em o nascimento da tragédia já via o homem como a encarnação da dissonância e que precisava a fim de poder viver, de uma ilusão magnífica que cobrisse com um véu de beleza a sua própria essência... tornando de algum modo a existência digna de ser vivida e impelem a viver o momento seguinte.
Essas tecnologias terminam por estruturar a sociedade em uma oposição bipolar entre a rede e o Ser conforme enfatiza Manuel Castells ( 1999:23, Vol-1) e exatamente neste contexto de desencantamento imposto pelos avanços da ciência e da tecnologia e pela proeminente racionalização que passou a estabelecer a correspondência entre a ação humana e a ordem do mundo, a partir de meados do séc.XX mais uma ferida foi imposta, ele já não detém mais o privilégio de ser o único portador da inteligência e seu corpo já não termina em sua pele, pele que antes era apenas um dispositivo de proteção e agora passa a ser um dispositivo de comunicação do tamanho do planeta.
quarta-feira, 2 de abril de 2008
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